Preservação da floresta Amazônica é pauta de evento on-line

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A preservação da floresta Amazônica é um sonho?

Chegaremos ao dia em que nosso maior bem ambiental estará à salvo da ganância destruidora, observada diariamente por olhares perplexos, seja no Brasil ou na comunidade internacional?

Essas são algumas das perguntas que o ecólogo Philip Fearnside responde no dia 25 de abril (domingo), na abertura da programação do projeto “Revolução Poética – Festival de Ideias”, promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto.

Para discutir essas questões junto ao ecólogo, compõe o debate do tema “Sobre as velhas utopias”, a mestre de cerimônia da noite e presidente da Fundação do Livro e Leitura, Dulce Neves; a arquiteta e urbanista Marcela Cury Petenusci, o diretor institucional do Instituto Terroá, Daniel Bellíssimo, e Isabela Luciano, participante do projeto NAU, uma iniciativa do Instituto SEB para apoiar jovens na conquista de um emprego.

“É preciso entender que a floresta fornece diferentes serviços essenciais a toda a população brasileira, como a água de outras partes do País, e que são recursos ameaçados em um futuro próximo”, adianta o ecólogo norte-americano de 73 anos, 40 deles vivendo no Brasil, onde desenvolveu a maior parte de sua carreira de reconhecimento internacional, que inclui um prêmio Nobel da Paz, em 2007, junto a outros cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

Mesmo com tantos desmandos praticados ano após ano contra a floresta Amazônica, Fearnside é um otimista.

“Taxar a manutenção do meio ambiente como utópica é perigoso por transmitir a mensagem que manter ecossistemas naturais é inerentemente impossível, imaginando que ninguém faz nada para conter as perdas, já que vão ocorrer de qualquer forma. Claro que as ameaças são muitas, mas existem grandes áreas de floresta intacta na Amazônia e temos a opção de evitar os erros já cometidos por outros países, e também por outras regiões do Brasil, que já destruíram quase toda a vegetação natural”, avisa.

Abrindo a noite, às 19 horas, antes da fala de Philip Fearnside, será exibido um filme do documentarista Leo Otero. Em “Pioneira Luta”, ele explora o tema de uma das utopias mais antigas que temos na humanidade, que é a disputa pelo direito à terra, que remonta há milênios e gera guerras até hoje.

“Neste vídeo-documentário eu trago este debate para os tempos atuais, com a saga dos povos indígenas que, há 521 anos sofrem um massacre na disputa por território e continuam resistindo e existindo. Mais que uma disputa pela terra, uma disputa física, cultural, espiritual e econômica e que vem em uma escalada muito violenta”, alerta Otero.

Novas utopias

Às 21h30, é a vez do projeto Alma (Academia Livre de Artes e Música de Ribeirão Preto) apresentar o espetáculo “Conglomerados Utópicos, Distópicas Paisagens”, com a participação de alunos de seu corpo experimental de dança.

“Com este espetáculo, trazemos ao palco a dureza de certos temas de nosso tempo, a aspereza de certos elementos, pois a arte, ao contrário do entretenimento, tem a função de trazer o espectador para a consciência, afastá-lo da alienação. A arte é a expressão daquilo que há de mais verdadeiro em nossas vidas, mas que não vemos, ou enxergamos de forma embaçada, por causa do cotidiano”, diz Lucas Galon, que compôs a música e o vídeo-arte que acompanham a coreografia, assinada por Marisol Gallo.

Logo em seguida, é a vez do jornalista e escritor Zuenir Ventura, autor de livros como “1968 – O ano que não terminou”, “Cidade Partida” e “Chico Mendes – Crime e castigo”, apresentar a sua visão sobre o tema. Para ele, a própria utopia sempre foi algo irônico, já que o filósofo Thomas More, autor do livro “Utopia”, apresentava o cenário de uma sociedade em que todos seriam felizes e ricos. “Porém, o próprio criador desse paraíso utópico morreu infeliz, preso e executado na Torre de Londres”, situa Zuenir.

Para o jornalista, o Brasil, de um jeito ou de outro, sempre experimentou um sentimento de utopia, seja olhando para a frente, como “o país do futuro”, ou para trás, com nostalgia dos idealizados “anos dourados”. “Estamos sempre esperando alcançar algo que nunca chega ou que já passou, mas na verdade, hoje, estamos em uma distopia como nunca vivemos, com um acúmulo de crises: de saúde, política, econômica, ética, social e ambiental”, enfatiza.

Para compor o debate com Zuenir Ventura, estarão presentes a MC da noite de abertura do evento, Dulce Neves, a jornalista Yara Racy, o Dr. Marcos Câmara de Castro, que é professor da FFCLRP-USP e um dos integrantes do projeto Alma, e Rhaianne Aguiar, participante do projeto NAU.

Revolução Poética

O evento “Revolução Poética – Festival de Ideias” será realizado entre 25 e 27 de abril, das 19 às 23 horas, no Instituto SEB – A Fábrica. O evento terá transmissão on-line, sem participação do público. Os palestrantes, assim como os espectadores, estarão em suas casas, participando e acompanhando virtualmente.

O projeto tem em sua base as ideias e reflexões do antropólogo, filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, homenageado especial da 20º edição da FIL – Feira Internacional do Livro, que será realizada em agosto.

O “Revolução Poética – Festival de Ideias” foi contemplado pelo edital ProAc Expresso LAB 40/2020 criado através da Lei Aldir Blanc. Trata-se de um projeto realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Instituto SEB e Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto.

SERVIÇO

O que: “Revolução Poética – Festival de Ideias”

Data: 25 a 27 de abril de 2021

Horário: 19h às 23h

Transmissão: www.fundacaodolivroeleiturarp.com e nos seus canais nas redes sociais.

Programação completa


25 de abril – domingo
Tema: “Sobre as velhas utopias”- Filme “Pioneira Luta”, de Leo Otero | a partir das 19h- Debate sobre o tema com Philip Fearnside (ecólogo) | a partir das 19h30


Tema: “Sobre as novas utopias”- “Conglomerados utópicos, distópicas paisagens”, com Academia Livre de Música e Artes – Alma | a partir das 21h- Debate sobre o tema com Zuenir Ventura (jornalista e escritor) | a partir das 21h30

26 de abril – segunda-feira
Tema: “A utopia realizada”
– “Cidade das Mulheres”, com Tânia Alonso e Thais Foresto (contadoras de histórias) | a partir das 19h
– Debate sobre o tema com Alexandre Ribeiro (escritor) | a partir das 19h30

Tema: “A maior das utopias”
– “Devaneios”, com De Lucca Circus | a partir das 21h
– Debate sobre o tema com Manuela Salau Brasil (coordenadora técnica da IESol/UEPG) | a partir das 21h30

27 de abril – terça-feira
Tema: “Necessidades poéticas do ser humano – Utopia?”-Vozes Bússolas: Poesia como arte do risco”, com Coletiva Sarau Disseminas e Ni Brisant (educador e escritor) | a partir das 19h- Debate sobre o tema com Alfredo Pena-Vega (sociólogo, professor e pesquisador do Centre Edgar Morin) | a partir das 19h30

Tema: “Por uma outra globalização – Entre utopias e distopias”- “Do lado de cá”, com Leser MC (músico e produtor cultural) | a partir das 21h- Debate sobre o tema com Maria Adélia de Souza (professora universitária e geógrafa) | a partir das 21h30

Sobre a Fundação

A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos. Trata-se de uma evolução da antiga Fundação Feira do Livro, criada em 2004, especialmente para realizar a Feira Nacional do Livro da cidade. Hoje, é considerada a segunda maior feira a céu aberto do país. Em 2020, a Feira tornou-se internacional e entraria na 20ª edição. Por isso, recebeu recentemente nova identidade, apresentando-se como FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto), mas sua realização foi remarcada para agosto de 2021, devido à pandemia do novo Coronavírus.

Com uma trajetória sólida e projeção nacional e agora internacional, ao longo de seus 20 anos, a entidade ganhou experiência e, atualmente, além da Feira, realiza muitos outros projetos ligados ao universo do livro e da leitura, com calendário de atividades durante todo o ano. A Fundação se mantém com o apoio de mantenedores e patrocinadores, com recursos diretos e advindos das leis de incentivo, em especial do Pronac e do ProAc.

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Sou jornalista com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. No início da década de 80 atuei no Rádio e no jornal impresso. Como a curiosidade é a alma do bom jornalista, troquei Rio Preto pela mochila. Morei em Berlim, quando esta ainda era ladeado pelo muro, colhi uva nos campos franceses e vivi em Paris. Depois de viajar pela Europa fui morar em um Kibbutz onde conheci meu primeiro marido, um britânico. Na Inglaterra formei-me em catering pelo Southgate Technical College. De volta ao Brasil, fui ser agricultora orgânica e passei a assinar uma coluna sobre alimentação no Diário da Região. Em 99 nasceu a “Talk Club Assessoria”, uma das primeiras agências de assessoria de imprensa de Rio Preto. Durante uma década a empresa atendeu grandes clientes. Acompanhando o mercado a “Talk Club” se transformou em uma produtora de vídeo, e tem como sócio o cinegrafista e diretor de arte Luis Soares, meu atual marido. Em outubro 2007, criamos o primeiro programa de TV o “ Maturidade Feliz” Programa este que alcançou nível nacional, em 2010, na Rede Vida de Televisão. No final de novembro de 2010 surgiu o “ Malu Rodrigues Visita”, um programa de jornalismo social.