Cena queer do interior se destaca em projetos on line

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Com debate sobre diversidade e pluralidade sexual, Psicorange, de São José do Rio Preto, lança show híbrido “#live.colab” e movimenta cena queer do interior.

Minimalista em sua formação e plural em seus objetivos. Assim pode ser brevemente definido o power trio riopretense Psicorange, banda formada por vocal, bateria e baixo que, misturando performance teatral com músicas de questionamento da liberdade pessoal, tem chamado a atenção no cenário do interior do estado de São Paulo.

Na contra mão das vertentes musicais comuns na região, a banda glam empodera voz, instrumento e performance para apresentar no final da segunda semana de fevereiro seu novo projeto criativo – o show on line “#live.colab”, que pela primeira vez vai reunir um formato híbrido de apresentação, com música, arte performática e projeções feitas pela artista Luciana Ramin.

O projeto, que foi viabilizado pelo Proac através de leis de incentivo, vai contar com seis apresentações ao vivo do show e lives de bate papo com convidados de dentro e de fora de São José do Rio Preto para discutirem sobre a pluralidade sexual, aceitação do ser e produção artística na pandemia. No combo terão ainda oficinas de teatro, psicodrama e criação, todos coordenados pelos integrantes do trio.

Mas, o que é o Psicorange?

O grupo surgiu há dois anos sempre com a proposta de questionar o próprio lugar na sociedade e, ainda, os rótulos, todos eles, recebidos por que é fora do considerado padrão.

“O que é preciso para ser feliz e qual aceitação necessária para se chegar a sermos nós mesmos?”, indaga Andressa Maria, baterista, vocal e uma das criadoras do projeto ao lado do marido, o baixista Sávio D’Agostino e do ator Murilo Grussi, também vocalista da banda.

As músicas, todas autorais, vão do eletrônico minimalista ao glam rock, com inspirações em bandas como Secos e Molhados, Ney Matogrosso e Royal Blond, entre outros. Dançantes, usam a batida queer como protesto de reflexão, com letras alegres e questionadoras sobre o corpo, o sair do lugar onde se está, a forma de ver a vida e ser visto na vida.

Durante o show, além das intervenções performáticas feita pelos próprios integrantes, o “#live.colab” traz a novidade de interagir com projeções criadas pela artista Luciana Ramin, que vão do abstrato a relatos sobre violência e preconceito, dialogando com os artistas em palco e criando uma atmosfera imagética e lúdica onde o trio narra sua tragetória e luta.

Além do cenários, as projeções interagem com os próprios músicos, o que dá a apresentação uma característica experimental e nova, inédita enquanto produção artística feita na cidade.

#live.colab

Do chão, um corpo feminino evolui, dança ao som do hungdrum e sobre imagens cósmicas que a levam. Silêncio, o corpo toma forma e se adereça, empodera e cresce. Um tambor, o ritmo. O corpo domina a cena e o som e luta através da arte na defesa de seus direitos. Não é mais um corpo – é mulher e na força das batidas chama à luta, a mudança e ao respeito de milhares de mulheres que interagem com ela no imagético das paredes.

Este é um dos quadros que, distribuídos em forma de interlúdios ao longo da apresentação, mostra a que a Psicorange veio – a luta através da arte.

No “#live.colab” o grupo brinca, canta e faz seu protesto de forma insinuante e provocativa. De super heróis performerns a integrantes de um cabaré underground, o Psicorange fala de liberdade, expressão e necessidade de fazer algo em suas letras autorais e dançantes. Com formação de baixo, bateria e vocal, o grupo extrai de cada performance o profundo de cada um e transforma o crú e pouco em energia contagiante.

As intervenções em vídeo de Luciana Ramin buscam transportar a um mundo psicodélico criado pela banda para a apresentação e onde convidam a todos a viagem lunática do auto conhecimento. É um convite à diversão, a dança e a reflexão.

Elemento importante nas performances são os figurinos pensados e criados pela artista Wilma Drag, com estilo oversized ampliando ainda mais a concepção visual, figurada, com personalidade. O show traz ainda espaço a formações locais com feats do Duo Magia Negra e Uriel Canille, ativistas da cena artistica e alternativa local. Assina a maquiagem a performance e drag queen Gaia do Brasil, que também desenvolveu todas as perucas utlizadas no show.

Lives e formação

Entreter e discutir. Este é o principal objetivo do #live.colab que além de seis shows em formato de live ainda vai trabalhar com lives formativas e debates entre personalidades influentes no cenário artistico de resistência.

Além dos shows, transmitidos nos canais da banda nos dias 18, 19 e 20 de fevereiro e 17, 18 e 19 de março, a banda vai realizar 6 encontros virtuais. No dia 08 de fevereiro, a diretora Georgette fadel fala sobre a arte em tempos de pandemia . No dia seguinte, tambem pelo instagran da banda, é a vez de Juliano Parreira, produtor artístico e musical, abordar o tema, seguindo no dia 11 do mesmo mês pela dupla Alan Salgueiro e Lírio Valente, do projeto Lírio em rascunhos.

Em março, no dia 09, o duo CTRL + N fala sobre arte resistência. No dia 11, o duo Magia Negra e Uruel Canile, presentes no show do projeto #live.colab, trazem para o debate a arte colaborativa e encerrando as lives propostas, o médico psiquiatra Saulo Ciasca fala sobre saúde mental da população LGBTQIA + durante a pandemia.

Como ações formativas, o #live.colab vai oferecer três ações. Uma vivência psicodramática realizada pela Andressa Maria com duas horas de duração e metodologia do psicodrama com a temática LGBTQIA+; uma oficina de teatro, com quatro horas de duração dividas em dois dias, para atores e não atores com o performance Murilo Gussi, permitindo uma breve vivência para quem deseja ter uma primeira experiência teatral e para aqueles que já praticam teatro e, por fim, um experimento musical desenvolvido pelo músico Savio D’Agostino, a partir da vivência e_mo_ção contemplada na mostra WINCHETSER e que propõe a criação de uma arte auditiva a partir de uma sentimento apresentado aos participantes da vivência, promovendo a reflexão dos diversos formatos de processo criativo. 

Vale lembrar, todas as ações serão gratuitas e abertas, sem cobrança de ingresso. As lives bate papo acontecerão pelo instagram da banda, as lives show pelo YouTube e as formativas pela plataforma

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Sou jornalista com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. No início da década de 80 atuei no Rádio e no jornal impresso. Como a curiosidade é a alma do bom jornalista, troquei Rio Preto pela mochila. Morei em Berlim, quando esta ainda era ladeado pelo muro, colhi uva nos campos franceses e vivi em Paris. Depois de viajar pela Europa fui morar em um Kibbutz onde conheci meu primeiro marido, um britânico. Na Inglaterra formei-me em catering pelo Southgate Technical College. De volta ao Brasil, fui ser agricultora orgânica e passei a assinar uma coluna sobre alimentação no Diário da Região. Em 99 nasceu a “Talk Club Assessoria”, uma das primeiras agências de assessoria de imprensa de Rio Preto. Durante uma década a empresa atendeu grandes clientes. Acompanhando o mercado a “Talk Club” se transformou em uma produtora de vídeo, e tem como sócio o cinegrafista e diretor de arte Luis Soares, meu atual marido. Em outubro 2007, criamos o primeiro programa de TV o “ Maturidade Feliz” Programa este que alcançou nível nacional, em 2010, na Rede Vida de Televisão. No final de novembro de 2010 surgiu o “ Malu Rodrigues Visita”, um programa de jornalismo social.