Monte Verde/MG é destino para observação de aves

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Saíra-douradinha é uma das espécies que podem ser encontradas em Monte Verde Foto: André Menini
Saíra-douradinha é uma das espécies que podem ser encontradas em Monte Verde Foto: André Menini
  Situado a mais de 1,6 mil metros de altitude na Serra da Mantiqueira, o distrito de Monte Verde, no sul de Minas Gerais, tem como um de seus principais atrativos a natureza exuberante, sendo um local privilegiado para a observação de aves. De acordo com o portal WikiAves, um dos mais respeitados entre os sites que catalogam informações sobre este tipo de animal, a última pesquisa realizada em Monte Verde apontou a existência de 261 espécies, sendo que 258 delas puderam ser registradas em fotografias.

  A procura pela prática do chamado “birdwatching” tem sido crescente em Monte Verde, que está localizada em uma área de Mata Atlântica com uma vegetação rica e com clima típico de altitude, uma condição geográfica propícia para muitos pássaros viverem, conforme explica o ornitólogo André Menini.

“Por fazer parte da Serra da Mantiqueira, em uma grande cadeia de montanhas, Monte Verde tem variados pontos que são um abrigo para diversas espécies que evoluíram nessas altitudes, onde alguns passarinhos só podem ser vistos em muito por conta da umidade e do clima local. Acaba sendo um lugar especial, porque o distrito possui várias vegetações que são muito importantes para diversos grupos de aves, principalmente as florestas de araucárias”, ressalta.

  Rebecca Wagner, presidente da MOVE (Agência de Desenvolvimento de Monte Verde e Região), destaca que o distrito de Camanducaia tem recebido com frequência a visita de turistas e profissionais do ramo que chegam por conta do grande número de aves que podem ser vistas na natureza local.

“Neste período de fim de inverno e início de primavera, período no qual a maioria dos pássaros costuma se acasalar na região, nós temos um aumento de turistas que buscam Monte Verde para observar pássaros, ou passarinhar, como a prática também é chamada”, conta Rebecca.

  Segundo André Menini, o período entre agosto e dezembro é considerado o melhor para o “birdwatching” porque os pássaros ficam mais ativos durante essa época de acasalamento.

“Tem muitas árvores nestas altitudes que são especiais para algumas aves, como papagaio-de-peito-roxo, gavião-de-sobre-branco, gavião-pega-macaco, grimpeiro e o caneleirinho-de-chapéu-preto, espécies que precisam de grandes áreas conservadas, e especialmente com altitudes, para poderem existir”, diz o ornitólogo.

“E podemos encontrar em Monte Verde outros belos pássaros: tiriba-da-testa-vermelha, saíra-douradinha, peito-pinhão, quete-do-sudeste, pica-pau-rei, pica-pau-dourado, choquinha-da-serra e matracão”, completa o especialista. 

As condições da natureza local também são enaltecidas por Riuvânio Rodrigues, biólogo da Escola de Falcoaria de Monte Verde, que realiza um trabalho socioambiental no distrito de Camanducaia. Uma das atribuições dele é cuidar de aves recolhidas durante operações policiais. Além disso, o local oferece aos visitantes um contato especial com aves, como corujas, falcões e gaviões.

  “Estou aqui em Monte Verde há seis anos e tenho observado algumas aves que gostam de migrar para cá, principalmente no inverno. Fiquei encantado com a presença do gavião-pega-macaco, uma das pequenas águias brasileiras e que não é facilmente vista em outros lugares. Aqui, eu consigo vê-las quase todos os dias. E tenho visto também algumas corujas que são muito interessantes de serem observadas”, enfatiza Rodrigues.

“Monte Verde é um lugar diferenciado. Vejo muitas aves exóticas nas minhas andanças aqui. E, normalmente, só uma pessoa com um olho experiente para isso vai conseguir identificar essas espécies, que são atraídas por causa desta natureza privilegiada”, reforça.

  Diante dessa perspectiva de poder observar belos e raros pássaros em Monte Verde, Menini apontou algumas dicas de locais vistos como propícios para isso acontecer:
“Os matos de altitude e as matas de araucária potencializam demais a diversidade em áreas preservadas, como ocorre, por exemplo, na trilha da Pedra Redonda, além da trilha que desce para São Francisco Xavier (SP), onde tem macacos muriquis. Monte Verde tem um chamariz infinito para trazer as pessoas para observarem não só as aves, mas a natureza de uma forma geral.”

  Além desses locais citados por Menini, as trilhas do Pinheiro Velho e das Corredeiras do Itapuá, que ficam próximas a rios, são outros dois bons pontos para observação de pássaros, pois esse curso de água garante a existência de árvores frutíferas, que nesta época do ano também estão com muitas flores e atraem um grande número de aves. Uma delas é o beija-flor chamado besourinho-de-bico-vermelho, que mede cerca de 8,5 centímetros e pesa em torno de 3,5 gramas, sendo uma das menores do mundo de sua espécie.


  Sobre a MOVE
Entidade associativa, apartidária e sem fins lucrativos, a MOVE (Agência de Desenvolvimento de Monte Verde e Região) foi criada no início de 2020 para promover o desenvolvimento econômico sustentável e ético do distrito de Monte Verde, polo turístico que pertence ao município de Camanducaia (MG), tornando-se referência no país.
A agência atua com o objetivo de fortalecer e dar voz ao empresariado, a fim de potencializar a vocação turística local sob os seguintes escopos: hotelaria, comércio, receptivos, alimentação, ambiental, social, industrial, esportivo, artístico e cultural.
Tem, ainda, como valores, a participação da sociedade na tomada das decisões e o cuidado e a valorização da paisagem e da cultura local. Atualmente, com mais de 150 associados, a MOVE apoia e oferece auxílio estratégico a empresas, ao poder público e à comunidade para o enfrentamento de desafios comuns; identifica, fomenta e divulga oportunidades de investimentos; promove novos negócios e parcerias; apoia, produz e viabiliza eventos turísticos na região; e promove turismo diversificado e economia de alternativas para negócios sustentáveis.

Conheça Monte Verde/MG pelas lentes do Malu Visita

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Sou jornalista com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. No início da década de 80 atuei no Rádio e no jornal impresso. Como a curiosidade é a alma do bom jornalista, troquei Rio Preto pela mochila. Morei em Berlim, quando esta ainda era ladeado pelo muro, colhi uva nos campos franceses e vivi em Paris. Depois de viajar pela Europa fui morar em um Kibbutz onde conheci meu primeiro marido, um britânico. Na Inglaterra formei-me em catering pelo Southgate Technical College. De volta ao Brasil, fui ser agricultora orgânica e passei a assinar uma coluna sobre alimentação no Diário da Região. Em 99 nasceu a “Talk Club Assessoria”, uma das primeiras agências de assessoria de imprensa de Rio Preto. Durante uma década a empresa atendeu grandes clientes. Acompanhando o mercado a “Talk Club” se transformou em uma produtora de vídeo, e tem como sócio o cinegrafista e diretor de arte Luis Soares, meu atual marido. Em outubro 2007, criamos o primeiro programa de TV o “ Maturidade Feliz” Programa este que alcançou nível nacional, em 2010, na Rede Vida de Televisão. No final de novembro de 2010 surgiu o “ Malu Rodrigues Visita”, um programa de jornalismo social.